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A palavra "inhame" é utilizada para designar plantas de vários gêneros que produzem tubérculos ou cormos comestíveis; plantas dos gêneros Alocasia, Colocasia (família Araceae) e Dioscorea (família Dioscoreaceae) e aos seus respectivos tubérculos amiláceos1 . São herbáceas perenes cultivadas para o consumo de seus tubérculos na África, América Latina, Ásia e Oceania. Existem centenas de cultivares entre as espécies do gênero Dioscorea.

A palavra "inhame" é utilizada para designar plantas de vários gêneros que produzem tubérculos ou cormos comestíveis. A confusão deve-se ao fato que estes tubérculos ou cormos são preparados na culinária de modo semelhante.

Há uma confusão de nomes populares das plantas do gênero Dioscorea nas regiões sudeste e nordeste do Brasil. No nordeste do Brasil, os tubérculos produzidos pela Dioscorea spp. são chamados de inhame enquanto os cormos comestíveis produzidos pela Alocasia e a Xanthosoma (ambos da família Araceae) são chamados de cará. Em sentido oposto, no sudeste do Brasil, os tubérculos produzidos pela Dioscorea spp. são comumente chamados de cará, enquanto os cormos comestíveis Alocasia e a Xanthosoma são chamados de inhame.

Nos Açores, chama-se de inhame (ou coco, na ilha de São Jorge), o taro (Colocasia esculenta), que é extensamente cultivado nestas ilhas. Daí que o taro também seja chamado de inhame-coco ou inhame-dos-açores.

A batata-doce, tubérculo comestível produzido pelas plantas do gênero Ipomoea, também é chamado em alguns lugares do Brasil de inhame.

Características

O gênero Dioscorea compõe-se de plantas trepadeiras anuais ou perenes cuja porção subterrânea produz tubérculos em geral comestíveis, das quais existem mais de 150 espécies e cerca de 600 cultivares usados para fins agrícolas. O género Dioscorea é originário das regiões tropicais e subtropicais de ambos os hemisférios.

As maiores espécies maiores do género Dioscorea atingem até 1,7 metros de altura; têm folhas largas, de interessante efeito decorativo.

Os tubérculos variam em tamanho desde pequenas "batatas" de alguns centímetros de diâmetros até gigantes com mais de 1,5 metros de comprimento e 40 kg de peso, ou até 2,5 metros de comprimento2 e 70 kg (150 libras) de peso. A pele do tubérculo é áspera e difícil de descascar, mas suaviza após aquecimento. As peles variam em cor do castanho escuro ao rosa claro. Dependendo da espécie e variedade, a porção comestível do inhame pode ter polpa com cores que vão do esbranquiçado ao amarelo, rosado ou ao roxo, com casca mais ou menos rugosa com coloração que vai do esbranquiçado ao castanho-escuro. A textura da polpa varia entre o tenro e aguado e o seco e fibroso, dependendo da espécie e variedade e do seu estado vegetativo.

O inhame cultivado costuma ser uma planta rústica, dispensando tratos sofisticados. A espécie de inhame preferida para o cultivo é a Dioscorea cayenensis, cujas raízes têm coloração tendendo ao roxo.

Outras espécies extensivamente cultivadas são a Dioscorea rotundata, a Dioscorea alata, a Dioscorea batatas e a Dioscorea purpurea (esta última em Taiwan e no sueste asiático).

A Dioscorea esculenta é a espécie mais utilizada no subcontinente indiano, no sul do Vietname e nas ilhas do Pacífico Sul. Esta espécie é uma das mais nutritivas.

A espécie com maior expressão nas regiões subtropicais é a Dioscorea bulbifera, conhecida como air-potato yam na América do Norte.

Devido à sua excelente palatabilidade para os humanos, valor nutricional e diversidade de composições culinárias em que pode ser incorporado, o inhame é considerado uma cultura de alto valor, sendo hoje cultivado em todas as regiões tropicais e subtropicais e em algumas regiões temperadas não sujeitas a geadas.

A cultura do inhame 

As principais condicionantes à produção do inhame são a disponibilidade de plantio, a competição com ervas daninhas, a disponibilidade de estacaria para construção de suportes para o desenvolvimento da planta (que é uma liana trepadeira) e as pragas, com destaque para os fungos, vírus e algumas espécies de escaravelhos e de nemátodos.

Em geral, o inhame é cultivado tendo, como único aporte externo, a utilização de pequenas quantidades de fertilizante, ou mesmo sem outro fertilizante do que a adição de material orgânico ou de cinzas resultantes de queimadas.

O plantio de inhame pode ser lançado à terra na estação seca, quando o solo está seco e a disponibilidade de trabalho das populações é maior. O custo do plantio representa cerca de 50 por cento do investimento na cultura, já que são necessários cerca de 10 000 inhames de semente por cada hectare a cultivar. Tal representa um grande volume de material, a que se associa a dificuldade de manter a viabilidade dos propágulos dado que são rapidamente perecíveis. Caso não adquiram o material, os agricultores necessitam em média de reservar 30 por cento da colheita para plantio no ano seguinte.

Uma vez semeadas, as sementes esperam em dormência pela chuva ou podem despontar um abrolho que aguarda o aumento da humidade do solo para desenvolver folhas.

Durante os primeiros 4 meses de crescimento a planta é vulnerável à competição com ervas daninhas, estando demonstrado que elas podem levar a perdas de rendimento superiores a 40% se não forem eliminadas por sacha adequada.

As melhores produções conseguem-se quando é instalada estacaria que permite à planta manter-se erecta trepando pelos suportes (pode chegar aos 4 m de altura). Tal representa um grande investimento, em particular em regiões pobres em material vegetal adequado.

Os tubérculos têm uma grande capacidade de armazenamento, continuando a crescer enquanto a disponibilidade de água no solo o permite.

Nas regiões mais húmidas, o inhame pode ser cultivado em associação com o milho e com outros vegetais.

Dada a sua importância económica o inhame é uma das produções agrícolas estudadas pelo International Institute of Tropical Agriculture (IITA), o qual mantém, em Ibadan, na Nigéria, um centro de investigação científica especializado nesta cultura.

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